“Lá fora eu tinha pouco estudo, raramente eu estudava, eu não tinha tempo, só trabalhava, estudei somente o primário. Hoje graças a ajuda da professora eu consigo ler e escrever um pouco melhor. Vou continuar estudando e as oportunidades que aparecerem daqui para frente eu vou agarrar”, afirma o interno A. F. dos S. S., com seu jeito simples de falar, explica a grande oportunidade que está tendo de se alfabetizar e estudar no em uma unidade prisional localizada em Altos-PI.
“Minha vida lá fora foi conturbada desde quando conheci as drogas, eu não tinha desejo de aprender, minha mãe era professora e eu só dava vergonha para ela. Eu tenho uma dificuldade de ler, escrever e entender, troco as letras. Agora eu me sinto feliz por que com 43 anos eu vou estudar e dar orgulho a minha família”, explica o interno F. R. da C. M., aluno do programa Alfabetiza Piauí, em uma Penitenciária de Teresina-PI.
No Dia Nacional da Alfabetização, 14 de novembro, os depoimentos dos internos do sistema prisional do Piauí refletem o impacto positivo que a educação tem para transformação da vida de homens e mulheres, que um dia escolheram o caminho do crime, mas que ainda podem escrever uma história diferente.

O Programa Alfabetiza Piauí é uma das políticas educacionais do Governo do Estado, atualmente, 112 alunos em 07 diferentes unidades prisionais, estão matriculados no Alfabetiza Piauí.
O secretário de Estado da Educação, Washington Bandeira, destaca o impacto social do programa. “Investir na alfabetização de jovens, adultos e idosos no sistema prisional é um passo fundamental para a ressocialização desses internos. A educação não apenas transforma vidas, mas também abre portas para novas oportunidades, reduzindo a reincidência criminal e promovendo um futuro mais digno e produtivo”, afirma o gestor.

Outra iniciativa de alfabetizar os internos, é a parceria com o Instituto Brasileiro de Educação e Meio Ambiente (Ibraema), onde um interno recebe uma formação e torna-se facilitador do aprendizado de outros internos dentro da cela. O facilitador recebe remição de pena pelo trabalho, enquanto o interno que está sendo alfabetizado ganha remição pela educação. O Ibraema doa todo o material didático e compartilha a metodologia para alfabetização de jovens e adultos.
Os dados do Censo Carcerário realizado pela Sejus, revelam que 7,51% dos internos são analfabetos e 52,71% tem o ensino fundamental incompleto. De acordo com a gerente de Educação Prisional da Sejus, Aparecida Franco a preocupação é buscar um percentual mínimo de analfabetos no sistema.

“A oferta de ensino de alfabetização no sistema é muito importante, o Programa Ibraema acontece por três dias da semana. Esse ano, iniciou o Programa Alfabetiza Piauí nas unidades, onde o professor está na unidade em sala, por três dias na semana também, com material didático regionalizado, para alfabetizar em um período de 06 meses”, destaca a gerente.
Em 2025, o programa Ibraema acontece em 11 unidades prisionais, com 354 alunos e 56 monitores. No ano passado, 342 internos foram alfabetizados por meio do Ibraema, nas duas etapas, com a participação de 74 monitores.
